quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Foi-se um amigo ficou a saudade

Foto de Jan Buys (Esquerda José Nascimento, direita Jan Piet Bekker)

“A lua eleva-se no horizonte gelado da Serra do Alvão. Um lobo aponta o focinho ao astro. E outro. E mais outro... A alcateia inteira uiva incessantemente, anunciando a despedida daquele que, durante anos e anos, foi seu companheiro e acérrimo defensor. Num dia solarengo centenas de insectos povoam os prados de montanha que ladeiam os rios e ribeiros serranos. Entre eles, o mais importante é um bicho pequeno, frágil, de um inigualável azul eléctrico, quatro asas oferecidas ao vento que passa, tromba metida no néctar das Ericas: é a Maculinea alcon, a borboleta mais ameaçada de Portugal. No próximo Verão estes bichos irão procurar-te avidamente por entre milhares de flores, linhas de água puríssima e rochas aquecidas pelo sol escaldante. No lugar onde te encontrares velarás pelos teus queridos lobos, pelas espécies em perigo e pela tua saudosa família e amigos” (Ernertino Maravalhas).


Não podia deixar de passar esta data sem homenagear a pessoa que me ensinou a olhar a natureza da maneira com a vejo.

Obrigado Zé


Paulo Barros


3 comentários:

Susana disse...

E que saudades deste amigo.
E da noite em que me convidou a juntar-me a ele e ao Gonçalo para ir ao Alvão uivar, na espectativa de obter resposta da alcateia.
Foi um momento mágico e único da minha vida, que recordarei para sempre.
Se não fosse o Zé nunca o teria vivido.
Obrigada Zé e também a ti Paulo por esta homenagem no Blog.

Susana Lobo

jteixpt disse...

O Zé Nascimento foi uma das minhas grandes referências enquanto biólogo apaixonado pela vida selvagem e a sua conservação. Qual gaio, com o seu trabalho e energia deixou muitas sementes enterradas que um dia irão formar um belo carvalhal.

Com saudade,
José Teixeira

António Luis Crespí disse...

Há pessoas que não precisam de uma longa vida para viver para sempre entre os outros. José Nascimento fez o que muitos não somos capazes de fazer numa vida inteira...